O AUTOR
Esleonir Martins nasceu em uma casa de fundos, localizada em uma cidade no interior do Paraná, cujo nome é uma homenagem ao criador do Museu de Artes de São Paulo (MASP): Assis Chateaubriand. De personalidade controversa e à frente de seu tempo, Chateaubriand foi um realizador de sonhos – seus e de terceiros –, seja como político, jornalista ou empreendedor. Grande incentivador das Artes e do desenvolvimento intelectual dos brasileiros, Chatô, como foi apelidado, contribuiu muito para o crescimento do Brasil.
Nascido em 02 de março de 1974, seis anos após a morte de Chateaubriand, podemos dizer que Esleonir Martins representa o pensamento e as iniciativas desse grande homem. Filho de um professor de Música e saxofonista autodidata e uma professora de Arte e Moda, ele cresceu ouvindo seu pai tocar e sua mãe desenhar e cortar belas roupas.
Em 1980 foi aluno da professora Zeli na primeira série na Escola Municipal Azauri Guedes Pereira, ainda em Assis Chateaubriand. Nesse mesmo ano ganhou sua primeira flauta doce e um objeto que refletia a imagem de um desenho, facilitando o exercício de cópia à mão livre.
Dois anos após esse período, residindo em Curitiba, estudou no Colégio Leôncio Correia. Mas foi nos colégios estaduais Presidente Arthur da Costa e Silva e Antônio Carlos Gomes, em Terra Roxa, que conclui o Ensino Fundamental e Médio. Nessa época, discretamente, caricaturava os colegas de classe e seus professores.
Oriundo de uma família com dons artísticos, não é surpresa que Esleonir começasse a desenhar ainda criança; que fosse um daqueles meninos que não podia ver uma folha em branco. Algo que até hoje o acompanha. Para o artista, não há como deixar de lado uma folha em branco. Precisa ser preenchida. Há que se criar algo, rabiscar formas, traçar de algum jeito o que borbulha no cérebro. Enfim, aquelas coisas que brotam, queimam e, não raro, sufoca o artista.
Em 1992 em meio a uma crise depressiva, resolve se dedicar totalmente às Artes. E aqui, se embriaga da criação em um amplo aspecto: musical, visual e literário. Que bela fuga para aliviar a constante dor, inquietação e desassossego que teimam em judiar, atormentar e algumas vezes até mutilar – carne e espírito -- aqueles que receberam o dom da criação. A partir daquele momento, ler, desenhar, pintar e tocar viraram a grande paixão do artista.
Em 1999 conclui o curso de Educação Artística com Licenciatura em Artes Plásticas na Universidade do Oeste Paulista (UNOPAR). Posteriormente fez especialização em Psicopedagogia pela Universidade Paranaense (UNIPAR), na cidade de Guaíra Pr.
Desde então, Esleonir Martins tem criado inúmeras obras em desenhos, pintura, escultura, poesia, charges entre outras.
Atualmente é Professor. Através das disciplinas de Arte e de Música, tenta passar -- a seres humanos ainda em formação -- a importância do Belo para o crescimento espiritual, em um país onde a profissão de educador está sendo abandonada.
Em seus desenhos, o artista faz uso do expressionismo para retratar pessoas que vivem, sofrem e amam.
Sobre as obras
Esleonir Martins encontra no Expressionismo uma forma de mostrar momentos de paz, amor e angústia existencial.
Para muitas pessoas, artistas são seres infelizes. Para outros, malucos, loucos ou simplesmente exóticos, diferentes do que entendemos como normal, padrão, certo. Discussões à parte, o fato é que há -- senão em todos -- pelo menos em boa parte daqueles que criam uma angústia existencial. E é justamente por esse sentimento que oprime, sufoca, e que tende a nos matar aos poucos, que se faz necessário criar.
Para o artista, trabalhar com o Expressionismo libera o mal que muitas vezes nos atormenta. Nada como desenhos em preto e branco para prender no papel esses fantasmas, essas sombras, esses momentos que vão de uma melancolia profunda á uma repentina paz interior.
Quem ganha com isso é a Arte. Somos nós, que podemos contemplar belezas como as singelas imagens do artista lendo sob uma sombra, ou praticando o violino montado ao contrário em uma bicicleta; os momentos com a mulher amada; com a Música; a mãe que amamenta; o ato de dar a luz, numa ideia original, e os incômodos momentos de crise, alucinação, vazio, solidão... Quando o artista sente-se preso, acorrentado, atado nesse constante drama de se viver, de ter nosso espírito amarrado nessa carne que nos judia, nos dilacera.
Este Arte com a Vida nos faz pensar. Boa parte de seus desenhos não são fáceis de serem digeridos, nos incomodam. Talvez nossa visão queira deter-se naqueles de paz, amor, descanso, mas certamente algo dentro de nós nos arrastará para os momentos obscuros. E é aqui que a Arte se faz presente. Quando mexe conosco, nos incomoda, fazendo de nós pessoas diferentes.
Emildo Coutinho